Mesa Mecânica
Atribuída a Jean-François Oeben (1760 - 1761)
Não estampilhada
Estrutura de carvalho e tília
Marchetaria em pau-rosa, pau-cetim, pau-santo, amaranto, buxo e ébano; bronze dourado; laca japonesa; veludo
Nº Inv. 579
Mesa mecânica de silhueta elegante ainda ao gosto Luís XV – as pernas são ligeiramente arqueadas, o tampo recortado, as linhas ondulantes e harmoniosas. A decoração em marchetaria é geométrica e os elementos decorativos de bronze são sóbrios e contidos, próprios duma fase avançada do estilo Luís XV. Embora de dimensões mais reduzidas, esta mesa tem grandes semelhanças com outra da colecção, estampilhada por Jean-François Oeben.
O tampo da mesa, recortado e debruado por um filete de bronze cinzelado e dourado, apresenta marchetaria em madeiras exóticas com motivos geométricos - uma grade formada por losangos A cintura é tripartida e apresenta decoração em marchetaria, também com motivos geométricos, mas em “escama de peixe”, um motivo muito do agrado de Oeben. As pernas, elegantemente arqueadas, são sublinhadas por elementos decorativos de bronze cinzelado e dourado. Estes elementos decorativos, partem da cintura, em forma de cabeças de velho com longas barbas e bigodes e prolongam-se até aos pés, terminando em enrolamentos de acanto.
Tal como a outra mesa mecânica da colecção, também este tampo ao ser accionado por uma chave, recua e faz aparecer uma estante ladeada de dois compartimentos que abrem em aba. A funcionalidade e versatilidade destes móveis mostram bem a busca de conforto e ao mesmo tempo a sofisticação da sociedade da época.
Esta mesa encontrava-se no grand salon do Palacete da Avenida d’Iéna, em Paris.
Fonte: Museu Gulbenkian
São Martinho a Cavalo partilhando a Capa com um Mendigo
França, 1531
Calcário
A. 136 x L. 134 x Prof. 34,6 cm
Inv.º 53
Peça de grande interesse artístico e documental, datada de 1531, apresenta o escudo de Francisco I, rei de França – uma salamandra coroada. Constitui obra de transição, na medida em que as figuras do Santo e do mendigo conservam uma feitura ainda medieval, enquanto os ornamentos são já francamente renascentistas. Os motivos inspirados na arte da Antiguidade Clássica, como máscaras, cabeças de Medusa, cabeças de leão e grotescos, são visíveis nos arreios do cavalo e nos debruns das vestes de São Martinho.
A obra integra-se estilisticamente na produção dos ateliers do vale do Loire, região preferida da corte faustosa de Francisco I, referenciando-se como um excelente exemplar da arte francesa em fase de cedência à influência italiana.
São Martinho, Apóstolo da Gália e Bispo de Tours, foi um dos santos mais venerados em França com uma iconografia particularmente rica, sendo o episódio ilustrado com mais frequência o que aqui é representado, que tem como desenlace a generosa divisão da sua capa.
Fonte: Museu Gulbenkian
Diana
Jean-Antoine Houdon (1741-1828)
Paris, 1780
Mármore A. 210 x L. 98 x Prof. 115 cm
Inv.º 1390
Obra-prima da escultura francesa do século XVIII, Houdon conferiu a esta deusa um tratamento original, apresentando-a nua e em movimento de corrida, em contraste com a Diana estática e idealizada dos seus antecessores, vestida de túnica como símbolo de virgindade.
Para além dos atributos habituais da deusa Diana – o arco, as flechas e a lua em fase de quarto minguante na cabeça – nesta versão em mármore, por exigência técnica, devido ao peso excessivo do material, Houdon foi obrigado a criar pontos de apoio: um tufo de plantas aquáticas na base e uma aljava para consolidar o braço esquerdo.
Exemplar único em mármore, pertenceu a Catarina II da Rússia, tendo estado exposto no Museu do Ermitage. A sua popularidade advém-lhe de um conjunto de factores, incluindo o do escândalo causado na época pela sua nudez integral, considerada excessiva e inconveniente.
Fonte: Museu Gulbenkian
Sagrada Família e Doadores
Vittore Carpaccio (c. 1465-1525)
Têmpera e óleo (?) sobre madeira
90,1 x 133,9 cm
Inv.º 208
A obra, que tem como tema central a Adoração do Menino, é considerada um dos mais notáveis trabalhos do artista e data de 1505. Na cartela, situada na base da tábua, pode ler-se a inscrição VICTOR CARPATHIUS/MDV.
Os doadores, seguramente individualidades proeminentes da sociedade veneziana, são representados de forma realista, à escala das personagens sagradas. Esta forma de integração na cena é testemunho de uma prática figurativa generalizada a partir do século XV e que reflecte, inequivocamente, a penetração de valores humanistas na arte. O Menino, despojado de atributos divinos, assume, no centro da composição, uma dimensão terrena.
Carpaccio representa o episódio recorrendo a uma série de planos narrativos autónomos que, definidos num cromatismo rico e luminoso, desenvolvem o espaço em profundidade. Este é pontuado por pormenores minuciosos, como a “mobilidade” da sequência intermédia de cavaleiros, que acrescentam ao conjunto a reconhecida fantasia inventiva do artista. A atmosfera tranquila, de sugestão lírica, reforça a harmonia do universo evocado.
Veneza, 1505
Têmpera e óleo (?) sobre madeira
90,1 x 133,9 cm
Inv.º 208
A obra, que tem como tema central a Adoração do Menino, é considerada um dos mais notáveis trabalhos do artista e data de 1505. Na cartela, situada na base da tábua, pode ler-se a inscrição VICTOR CARPATHIUS/MDV.
Os doadores, seguramente individualidades proeminentes da sociedade veneziana, são representados de forma realista, à escala das personagens sagradas. Esta forma de integração na cena é testemunho de uma prática figurativa generalizada a partir do século XV e que reflecte, inequivocamente, a penetração de valores humanistas na arte. O Menino, despojado de atributos divinos, assume, no centro da composição, uma dimensão terrena.
Carpaccio representa o episódio recorrendo a uma série de planos narrativos autónomos que, definidos num cromatismo rico e luminoso, desenvolvem o espaço em profundidade. Este é pontuado por pormenores minuciosos, como a “mobilidade” da sequência intermédia de cavaleiros, que acrescentam ao conjunto a reconhecida fantasia inventiva do artista. A atmosfera tranquila, de sugestão lírica, reforça a harmonia do universo evocado.
Fonte: Museu Gulbenkian
Três Jarras Pisciformes
Autores desconhecidos
Jarras: China, c. 1750
Montagem : França, meados do século XVIII Porcelana “celadon” e bronze
33 x 16 cm (peça central); 33 x 17,5 cm (peças laterais)
Inv.º 124 A/B/C
As três peças aqui apresentadas, em forma de peixes isolados ou acoplados, são executadas em preciosa porcelana chinesa. As montagens, destinadas a realçar o valor das peças e a satisfazer o gosto pelas chinoiseries, tão em voga nesta época, foram executadas em França, muito provavelmente em Paris, por um artista desconhecido, em bronze ricamente cinzelado e dourado.
Os motivos utilizados, próprios do estilo rocaille - plantas aquáticas, rochas, espuma, búzios, etc. - harmonizam-se perfeitamente com a própria forma dos objectos, enquanto o brilho do ouro realça o misterioso tom verde azulado que caracteriza a porcelana “celadon”.
Vemos assim duas carpas, de cauda erguida, transformadas em jarros, que constituem as peças laterais de uma guarnição, cuja peça central é formada por duas carpas afrontadas, montadas de forma a sugerir uma fonte.
Extremamente apreciadas na época, peças como estas, revelam-nos até que ponto o homem do século XVIII é atraído pelo exotismo dos temas orientais.
Fonte: Museu Gulbenkian
Cômoda
Jean Deforges (act. c. 1737-1757), Mestre c. 1739
Paris, c. 1750-55
Carvalho e ébano, painéis de laca japonesa, bronze e mármore
A. 90 x L. 130 x Prof. 60 cm
Inv.º 284
A cómoda da Colecção Calouste Gulbenkian é inteiramente revestida a preciosos painéis de laca japonesa de meados do século XVII, com motivos dourados, em relevo, sobre fundo preto, e aplicações de madrepérola e folha de ouro. Na parte frontal podemos ver, na gaveta de cima, um dragão entre nuvens à esquerda e uma grossa haste de bambu à direita e, na de baixo, respectivamente, um campo florido e uma cena de luta entre dois animais selvagens. Os painéis das ilhargas, são decorados com pássaros exóticos em paisagens naturalistas. A homogeneidade do conjunto é conseguida através da perfeita harmonização da riquíssima decoração de bronze que se espraia sobre a laca e remata os painéis, as ilhargas e os pés. A extraordinária entrada de fechadura prolonga-se, no sentido vertical, de forma a ligar o topo do móvel, sob o tampo de mármore, à decoração que emoldura o recorte do avental, marcando o eixo meridiano do móvel.
Móveis como este, aos quais se pode aplicar por excelência o termo "pittoresque", são o paradigma do luxo, exuberância e capricho que as artes decorativas francesas atingiram, em meados do século XVIII.
Fonte: Museu Gulbenkian
Armário
Atrib. André-Charles Boulle (1642-1732)
Paris, c. 1700
Carvalho e madeiras exóticas; tartaruga, bronze, estanho e latão
A. 254 x L. 163 x Prof. 60 cm
Inv.º 324 B
A técnica utilizada, e que ficou ligada ao nome do artista, caracteriza-se pelo recorte dos motivos em lâminas sobrepostas, de materiais e cores contrastantes, de forma a, aproveitando todo o material, conseguir obter duas peças semelhantes em que uma se apresenta como o «negativo» da outra.
Paradigma do estilo Luís XIV, a obra de Boulle apresenta-nos, sobre linhas decalcadas dos modelos clássicos, uma decoração barroca austera a que o equilíbrio, a simetria e a rigidez quase protocolar das formas confere uma notável unidade.
Colecção A. Wertheimer. Adquirido na venda desta colecção na casa Christie’s, Londres, 16 de Junho de 1920.
Fonte: Museu Gulbenkian
Relógio de Parede
Jacques Caffieri (1678-1755). Bronzista
Jacques Lemazurier (Mestre em 1724). Relojoeiro
Paris, c. 1750
Bronze 115 x 63 cm
Inv.º 604
O relógio de parede, designado na época por cartel d’applique caracteriza-se, na sua forma, pela reminiscência da peanha que, de início, suportava relógios de mesa quando aplicados em superfícies verticais, e se revela no prolongamento inferior da moldura em remate triangular.
Colecção Rudolfo Khan. Adquirido a Duveen, Paris, Maio de 1910.
Fonte: Museu Gulbenkian
Relógio Regulador
Atrib. Bernard (II) van Risen Burgh (Mestre c. 1730)
Inv.º 195
A caixa deste relógio, executada em estilo roccaille, constitui um exemplar notável, não só pelo belíssimo trabalho de marchetaria com motivos florais, como também pela sumptuosa decoração, em bronze cinzelado e dourado em que se destaca, no remate da peça, uma alegoria compósita, com figuras em vulto perfeito. A parte superior, ou «cabeça» apresenta o mostrador esmaltado, com três ponteiros, indicando horas, minutos e segundos, e encerra o mecanismo do relógio; logo abaixo, uma parte intermédia, permite o movimento da pêndula, observável através de um óculo; na parte inferior descem os pesos que fazem funcional o conjunto.
Paris, c. 1735-40
Carvalho e madeiras exóticas; bronze; esmalte; vidro
A. 245 x L. 63 x Prof. 26 cm Inv.º 195
A caixa deste relógio, executada em estilo roccaille, constitui um exemplar notável, não só pelo belíssimo trabalho de marchetaria com motivos florais, como também pela sumptuosa decoração, em bronze cinzelado e dourado em que se destaca, no remate da peça, uma alegoria compósita, com figuras em vulto perfeito. A parte superior, ou «cabeça» apresenta o mostrador esmaltado, com três ponteiros, indicando horas, minutos e segundos, e encerra o mecanismo do relógio; logo abaixo, uma parte intermédia, permite o movimento da pêndula, observável através de um óculo; na parte inferior descem os pesos que fazem funcional o conjunto.
A este tipo de relógios, de caixa alta e pêndula muito comprida, era dado o nome de Regulador, pelo seu alto grau de precisão, que permitia que por eles fossem acertados outros relógios. No exemplar que aqui vemos, a forma, muito contornada, adapta-se perfeitamente às necessidades do mecanismo que encerra.
Fonte: Museu Gulbenkian
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